Hoje, a sonda Dawn deverá iniciar uma longa jornada espacial, para se pôr no encalço de Ceres e Vesta, dois dos maiores asteróides que circulam entre Marte e Júpiter. Chegará a Vesta em 2011, a Ceres em 2015.
A ideia da NASA é ir à procura destes calhaus que sobraram da formação de planetas rochosos, como a Terra, Marte e Mercúrio, para compreender melhor a formação do sistema solar. “A Terra está sempre a mudar, o que esconde a sua história. Acreditamos que Ceres e Vesta, formados há mais de 4600 milhões de anos, preservaram a sua história inicial”, disse, na BBC Online, Christopher Russell, o cientista chefe da missão.
Estes asteróides têm histórias evolutivas distintas. Ceres, descoberto na cintura entre Marte e Júpiter em 1801, tem mais de 900 quilómetros de diâmetro. Por ser tão grande, recebeu o mesmo estatuto que Plutão: planeta anão. Por baixo da sua crosta, pensa-se que existe uma camada de gelo. Já o interior de Vesta (descoberto em 1807, mais de 500 quilómetros) chegou a ser quente e sofreu processos de vulcanismo, enquanto Ceres se mantém mais perto do estado primitivo.
Um dos motivos de interesse de Vesta é uma enorme cratera no pólo sul, detectada pelo telescópio espacial Hubble em 1996. Alguma coisa colidiu com o asteróide, arrancou um valente bocado e deixou uma cicatriz.
Alguns bocados, quem sabe se arrancados naquela colisão, caíram na Terra. Conhecem-se cerca de 25 amostras do Vesta, uma delas é a do meteorito que caiu em 1925 na aldeia de Vilarelho da Raia, a oito quilómetros de Chaves. Foi o geólogo Fernando Monteiro, falecido em 2005, aos 43 anos, quem identificou de forma correcta, nos anos 80, o meteorito de Chaves, como é conhecido. Percebeu que provinha de Vesta.
Agora, a Dawn passará a pente fino a estrutura e a composição de Vesta e Ceres. Espera-se também que envie destes mundos imagens de alta resolução. Terão montanhas, desfiladeiros, rios de lava antigos? Até o sabermos, resta a imaginação.
Fonte – JD